florbela espanca
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RETRATOS DA SOLIDÃO

o quarto escuro,
a noite envolvida em brumas.
o silêncio devorando
banhado a luz da lua.

Por de trás do sorriso
a lágrima revestida de mentira,
se ocultando nas sombras da felicidade.

o coração palpitando
não por amor,
mas por dor.
Dor que persiste,
que machuca.
dor ainda mais dolorosa
por ser silenciosa.

Uma chaga aparentemente cicatrizada
corroi a mente aos poucos
causando sofrimento.
corroi aos poucos...(talvez assim seja mais divertido)

De repente um voz,
uma pequena luz,
em um instante tudo muda:
a sorriso se transforma em verdade,
o coração bate forte acreditando no amor,
a chaga desaparece da alma.

Nesse momento o sonho:
as rosas, o aroma, a luz, as vozes,
tudo se confunde num turbilhão de felicidade...

só que mais uma vez o vazio reaparece e percebo
que tudo o q senti era pura ilusão,
pois a voz e a luz se perderam
(ou será q fugiram?)

E o furacão atinge a costa,
percorre todo o continente,
se instala no centro
fazendo-me cair novamente
no profundo abismo onde se encontram:
a escuridão, o silêncio, a lágrima, a dor, a chaga, o sofrimento...
os retratos da solidão

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